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#1675737
Texto da Questão:

“O espaço acadêmico como produtor de história, formador dos profissionais encarregados de ensiná-la, frequentemente associado aos interesses do capital, alia-se à indústria cultural, que paulatinamente participa do debate acadêmico e aponta rumos para a história/mercadoria ali produzida. A indústria editorial brasileira é modernizada, nesse período, graças aos incentivos financeiros estatais e à massificação do ensino. O livro didático torna-se uma das mercadorias mais vendidas e assume a forma do currículo e do saber em nossas escolas. As editoras acompanham e participam das transformações na pesquisa historiográfica acadêmica e no ensino de 1º e 2º graus, renovando os tradicionais livros didáticos de história e por meio dos lançamentos dos livros chamados paradidáticos.”

Selva Guimarães, Caminhos da História Ensinada, 13ª Ed. Campinas-SP, 2012, p.160.


“A familiaridade com o uso do livro didático faz que seja fácil identificá-lo e estabelecer distinções entre ele e os demais livros. Entretanto, trata-se de objeto cultural de difícil definição, por ser obra bastante complexa, que se caracteriza pela interferência de vários sujeitos em sua produção, circulação e consumo. Possui ou pode assumir funções diferentes, dependendo das condições, do lugar e do momento em que é produzido e utilizado nas diferentes situações escolares. É um objeto de ‘múltiplas facetas’, e para sua elaboração e uso existem múltiplas interferências.

Como produto cultural fabricado por técnicos que determinam seus aspectos materiais, o livro didático caracteriza-se, nessa dimensão material, por ser uma mercadoria ligada ao mundo editorial e à lógica da indústria editorial e à lógica da indústria cultural do sistema capitalista. CONCURSO PROFEM 2022 Constitui também um suporte de conhecimentos escolares propostos pelos currículos educacionais. Essa característica faz que o Estado esteja sempre presente na existência do livro didático: interfere indiretamente na elaboração dos conteúdos escolares veiculados por ele e posteriormente estabelece critérios para avaliá-lo, seguindo, na maior parte das vezes, os pressupostos dos currículos escolares institucionais. Como os conteúdos propostos pelos currículos são expressos pelos textos didáticos, o livro torna-se um instrumento fundamental na própria constituição dos saberes escolares.”

Circe Bittencourt, Ensino de História. Fundamentos e métodos. 4ª Edição (1ª Ed. 2004), São Paulo: Cortez, 2011. p. 301-302. 

Os excertos selecionados permitem observar que Selva Guimarães e Circe Bittencourt tratam de dimensões significativas e consideram vários sujeitos envolvidos no ensino de História em suas obras. Qual é a avaliação de ambas sobre o papel desempenhado pelo Estado na produção do livro didático?

  • Nas décadas de 1970 e 1980 o Estado atuou como fomentador de uma política de desenvolvimento do Ensino Superior para formar professores de acordo com as mais modernas tendências da historiografia e, como resultado, os currículos escolares dos anos 2000 foram atualizados junto aos conteúdos dos livros didáticos.
  • Os incentivos financeiros dados pelo Estado às editoras durante os anos 1970 e 1980 ajudaram a transformar o livro didático numa mercadoria influenciadora dos currículos escolares e, nos anos 2000, a interferência estatal se manifesta na elaboração de diretrizes, seleção de conteúdos e nos critérios de avaliação do livro didático, indiretamente reforçando a indústria editorial.
  • Como produto cultural fabricado por técnicos e elaborado por intelectuais, o livro didático é objeto analisado pelo Estado que, desde as décadas de 1970 e 1980 e até os anos 2000, tem acompanhado a produção e o uso do material didático pelos professores, com o objetivo de garantir o cumprimento das políticas públicas de educação para a Escola Básica.
  • Para subsidiar o desenvolvimento e a implementação de reformas dos currículos de História na Escola Básica e no Ensino superior desde os anos 1970 até hoje, o Estado desenvolveu programas de incentivo à formação continuada de professores, que implicam cursos de atualização historiográfica, e apoio às editoras para a publicação de paradidáticos.
  • A massificação do ensino na Escola Básica implicou que o Estado, desde 1970, tomasse para si a responsabilidade de nortear a produção do livro didático pelas editoras para que elas produzam manuais de qualidade e comprometidos com os currículos oficiais, sem deixar de atender aos seus interesses como empresas que produzem para um mercado em expansão.
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