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#1675711

“A conjuração da Bahia, dez anos mais tarde, foi um movimento predominantemente urbano e muito mais radical, pois tinha em mira uma sublevação armada de mulatos, negros libertos e escravos. Seus principais chefes eram artesãos (em especial alfaiates) e soldados. Esteve envolvido um pequeno número de jovens brasileiros brancos com instrução, notadamente Cipriano Barata de Almeida. Aqui a influência da Revolução Francesa foi predominante. Os chefes da revolta reivindicavam: a independência política de Portugal, democracia, um governo republicano e o livre comércio, mas também liberdade, igualdade e fraternidade e o fim da escravidão e da discriminação racial numa capitania cuja população era constituída de um terço de escravos e dois terços de oriundos da África. (Na verdade, na cidade de Salvador a proporção de brancos para as outras etnias era de 1 para 5.) No entanto, a classe dominante na Bahia não estava disposta a ouvir as exigências de mudança política. A insurreição dos affranchis (negros libertos) e escravos de Saint-Domingue fora para os senhores de escravos em todas as Américas uma terrível advertência sobre as consequências da propagação, nas sociedades escravistas, das ideias do liberalismo, igualitarismo e direitos do homem – e da contestação do controle da metrópole pelos elementos revolucionários da população branca.”
BETHEL, Leslie. (Org.) História da América Latina. São Paulo: EDUSP/Fundação Alexandre de Gusmão, Crítica, 1999, v. 3, pgs. 197.
Considerando o texto, assinale a alternativa correta:

  • A centralidade da experiência francesa para a conjuração da Bahia deveu-se ao fato de aquele evento ter colocado em pauta, abolindo-a, a questão da escravidão logo no início da deflagração do processo revolucionário, com a publicação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão pela Assembleia Nacional Constituinte.
  • A adaptabilidade dos princípios revolucionários que, na França, solaparam as bases do Antigo Regime, tornava possível que, na Bahia de 1798, grupos étnicos e sociais diversos e numericamente desiguais participassem de um mesmo levante revolucionário contra a Coroa portuguesa.
  • As tratativas feitas por Antoine René Larcher pelo apoio do Diretório francês aos conjurados, e as imediatas reações de oposição da Espanha e Inglaterra que se lhe seguiram, replicaram, na Bahia, rivalidades imperiais que, em Santo Domingo, tinham transformado uma guerra civil desencadeada por uma revolta de escravos na Província do Norte em 1791 em conflito internacional envolvendo França, Espanha e Inglaterra.
  • Enquanto em Saint-Domingue havia fortes clivagens de cunho racial socioeconômico e geográfico entre os membros da elite branca (grand blancs), os brancos pobres (petits blancs) e os negros e mulatos livres (affranchis ou gens de couleur libres), na Bahia, por outro lado, mulatos, negros libertos, escravos, a população livre pobre e poderosos membros da elite soteropolitana congregaram-se harmonicamente em torno de um ideário político comum.
  • A contar pela composição étnica da população de Salvador na década de 1790, que consistia de apenas um branco para quatro indivíduos de outras etnias, seria muito provável de se reproduzir ali, e com a mesma magnitude, o que ocorrera em Saint-Domingue, onde, no mesmo período, se dispunha de um branco para cada quinze escravizados, e onde populações indígenas compuseram quase metade das fileiras dos exércitos deToussaint Louverture.
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