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#2570991

“Parece-me que a honestidade científica exige que o historiador, por um esforço de tomada de consciência, defina a orientação de seu pensamento e (na medida do possível) explicite seus postulados. Que ele se mostre em ação e nos faça assistir a Gênese de sua obra: a razão da escolha e delimitação de seu tema, assim como a maneira de abordá-lo; seu objetivo e o resultado de sua investigação. Que ele descreva seu itinerário interior porque toda a pesquisa histórica, se for verdadeiramente fecunda, implica um progresso na própria alma de seu autor; o ‘encontro com outros’, dos instantes de espanto às descobertas, contribui, por sua transformação, para aprofundar o autoconhecimento. Em suma, que ele nos forneça todos os materiais que uma introspecção escrupulosa pode contribuir para aquilo que, em termos tomados de empréstimo a Sartre, eu havia proposto designar como sua ‘psicanálise existencial’” (Marrou, Henri I. Do conhecimento histórico; apud Prost, Antoine. Dez lições sobre a História. Belo Horizonte: Autêntica, 2008, p. 91)
De acordo com o autor, para a construção do conhecimento histórico:

  • o distanciamento do historiador em relação ao seu objeto de estudo é pré-requisito para o alcance do rigor científico.
  • o pesquisador precisa se preservar diante das armadilhas da investigação em História.
  • a escrita da história envolve complexas relações de autoconhecimento para elucidar as próprias motivações que conduzem o historiador ao estudo de um tema específico.
  • a pesquisa em História, para obter o rigor científico, exige que o pesquisador iniba os seus valores políticos e tenha um autocontrole psíquico permanente.
  • honestidade científica é impossível ser alcançada face ao caráter ideológico do saber histórico.
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