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#2874097

Fui sentar-me numa prensa de farinha que havia no fundo do nosso quintal. Tentei chorar, mas não tinha vontade de chorar. Esperava espantado, imaginando a vida que ia suportar sozinho neste mundo. Sentia frio e pena de mim mesmo. A casa era dos outros, o defunto era dos outros. E eu estava ali como um bichinho abandonado, encolhido na prensa que apodrecia. Ouvia o barulho de um descaroçador de algodão, próximo, no Cavalo-Morto. E via o corredor da nossa casa, por onde passavam a batina de padre Inácio, a farda de cabo José da Luz, o vestido vermelho de Rosenda e o capote do velho Acrísio.

(Fonte: Angústia, de Graciliano Ramos. Editora Record, 2004)

O parágrafo acima serve como exemplo de uma sequência de frases que combinam aspectos pertinentes na construção do texto literário. O personagem-narrador descreve as poucas ações da cena e faz reflexões sobre sua vida. Os tempos verbais no pretérito contribuem para essa caracterização, que mudaria se o escritor optasse por empregar verbos no presente.

Na hipótese de reescrever o trecho substituindo-se os verbos do pretérito por verbos no presente, o resultado textual seria o seguinte:

  • Vou sentar-me numa prensa de farinha que há no fundo do nosso quintal. Tento chorar, mas não tenho vontade de chorar. Espero espantado, imaginando a vida que vou suportar sozinho neste mundo. Sinto frio e pena de mim mesmo. A casa é dos outros, o defunto é dos outros. E eu estou ali como um bichinho abandonado, encolhido na prensa que apodrece. Ouço o barulho de um descaroçador de algodão, próximo, no Cavalo-Morto. E vejo o corredor da nossa casa, por onde passam a batina de padre Inácio, a farda de cabo José da Luz, o vestido vermelho de Rosenda e o capote do velho Acrísio.
  • Sento-me numa prensa de farinha que há no fundo do nosso quintal. Tento chorar, mas não sinto vontade de chorar. Espero espantado, imaginando a vida que suportaria sozinho neste mundo. Sinto frio e pena de mim mesmo. A casa é dos outros, o defunto é dos outros. E eu fico ali como um bichinho abandonado, encolhido na prensa que apodreceu. Ouço o barulho de um descaroçador de algodão, próximo, no Cavalo-Morto. E vi o corredor da nossa casa, por onde passa a batina de padre Inácio, a farda de cabo José da Luz, o vestido vermelho de Rosenda e o capote do velho Acrísio.
  • Vai sentar-se numa prensa de farinha que há no fundo do nosso quintal. Tenta chorar, mas não tem vontade de chorar. Espera espantado, imaginando a vida que vai suportar sozinho neste mundo. Sente frio e pena de si mesmo. A casa é dos outros, o defunto é dos outros. E ele está ali como um bichinho abandonado, encolhido na prensa que apodrece. Ouve o barulho de um descaroçador de algodão, próximo, no Cavalo-Morto. E vê o corredor da nossa casa, por onde passam a batina de padre Inácio, a farda de cabo José da Luz, o vestido vermelho de Rosenda e o capote do velho Acrísio.
  • Sentando-me numa prensa de farinha que há no fundo do nosso quintal, tento chorar, mas não sinto vontade de chorar. Espero espantado, imagino a vida que suportarei sozinho neste mundo. Sinto frio e pena de mim mesmo. A casa dos outros, o defunto dos outros. E eu ali como um bichinho abandonado, encolhido na prensa que está apodrecendo. O barulho de um descaroçador de algodão, próximo, no Cavalo-Morto. E vejo o corredor daquela casa, por onde vai estar passando a batina de padre Inácio, a farda de cabo José da Luz, o vestido vermelho de Rosenda e o capote do velho Acrísio.
  • Sentado numa prensa de farinha no fundo do nosso quintal, chorando, mas sem vontade de chorar. Espantado, imaginando a vida a suportar, sozinho naquele mundo, sentindo frio e pena de mim mesmo. A casa dos outros, o defunto dos outros. E eu ali como um bichinho abandonado, encolhido na prensa apodrecendo. O barulho de um descaroçador de algodão, próximo, no Cavalo-Morto. O corredor da nossa casa, passando a batina de padre Inácio, a farda de cabo José da Luz, o vestido vermelho de Rosenda e o capote do velho Acrísio.
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