INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Os pequeninos
Ouvi certa vez uma conversa inesquecível. A esponja de
doze anos não a esmaeceu em coisa nenhuma. Por que
motivo certas impressões se gravam de tal maneira e outras
se apagam tão profundamente?
Eu estava no cais, à espera do Arlanza, que me ia devolver
de Londres um velho amigo já de longa ausência. O nevoeiro
atrasara o navio.
– Só vai atracar às dez horas — informou-me um sabe-tudo
de boné.
Bem. Tinha eu de matar uma hora de espera dentro dum
nevoeiro absolutamente fora do comum, dos que negam
aos olhos o consolo da paisagem distante. A visão morria
a dez passos; para além, todas as formas desapareciam
no algodoamento da névoa. Pensei nos fogs londrinos que
o meu amigo devia trazer na alma e comecei a andar por
ali à toa, entregue a esse trabalho, tão frequente na vida,
de “matar o tempo”. Minha técnica em tais circunstâncias se
resume em recordar passagens da vida. Recordar é reviver.
Reviver os bons momentos tem as delícias do sonho.
Mas o movimento do cais interrompia amiúde o meu sonho,
forçando-me a cortar e a reatar de novo o fio das recordações.
Tão cheio de nós foi ele ficando que o abandonei.
Releia o trecho a seguir.
“A visão morria a dez passos; para além, todas as formas
desapareciam no algodoamento da névoa.”
Considerando o contexto do conto, essa passagem sugere
que a
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