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#3202954

Para trabalhar as relações do homem com a natureza, uma professora da escola básica optou por discutir o tema da paisagem do sertão nordestino a partir do fragmento do poema Secas de Março (versos sem os tons jobinianos) a seguir.

É pau é pedra é o fim do caminho É um metro é uma légua é um pobre burrinho  É um caco de vida é a vida é o sol  É a dor é a morte vindo com o arrebol  É galho de jurema é um pé de poeira  Cai já, bambeia é do boi a caveira  É pé de macambira invadindo a cachoeira  É vaqueiro morrendo é a reza brejeira  É angico é facheiro é aquela canseira  É farelo é um cisco é um resto de feira  É a fome na porta é um queira ou não queira  Na seca de março é a fuga estradeira  É o pé é o chão é a terra assadeira  É menino na mão e mais dez na traseira  É um Deus lá no céu Padre Cíço no chão  É romeiro rezando dentro dum caminhão  É o filho disposto partindo sozinho  [..] QUIRINO, Jessier. Prosa Morena. Recife: Bagaço, 2001, p. 89-90.

Após a leitura dos versos, a professora explicou aos alunos que a relação entre paisagem e história se faz presente, uma vez que, no texto, 

  • constrói-se, discursivamente, uma imagem do que seja o sertão, apresentando-o como um espaço homogêneo e, historicamente, associado ao Nordeste.
  • são evidenciados os elementos característicos do mundo natural presente no interior do Nordeste, criando as bases históricas para fixação dos elementos genuínos da região.
  • idealiza-se uma imagem sobre o sertão nordestino a partir de conflitantes representações sobre esse espaço, expressando abordagens políticas historicamente divergentes.
  • são denunciadas as condições de vida presentes no sertão nordestino, desconstruindo a imagem de que a região é dominada por práticas coronelísticas.
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