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#1899532
Texto da Questão:

Em Meados de 2013, diante do evento esportivo mundial denominado “Copa das Confederações”, realizado no “País do Futebol”, eclodiram inumeráveis manifestações populares. Pessoas de diversas localidades ocuparam as ruas das cidades. Esses eventos ficaram conhecidos por “Jornadas de Junho”. [...] As Jornadas de Junho no Brasil podem ser vistas como um desdobramento de um sentimento maior, em nível mundial, que teve seus prelúdios em 2011, com a eclosão simultânea e contagiosa de movimentos sociais e manifestações de protestos com reivindicações particulares em várias regiões do planeta, mas com formas de luta muito assemelhadas e consciência de solidariedade mútua. [...] As Jornadas de Junho foram plurais, assim como múltiplos foram os atores em cena. Não foram movimentos hegemônicos. Nem mesmo quando se observam ações ocorridas na mesma cidade e no mesmo momento de concretização. Historicamente, o povo brasileiro foi sistematicamente alvo de tentativa de exclusão da ação na vida republicana, seja pelo uso da força seja por uma cultura política assistencialista e da dádiva. A historicidade das relações de poder no Brasil seriam a expressão exemplar do ressentimento social. Por outro lado, constrói-se um modelo de democracia que não é capaz de construir os espaços da escuta e da fala. Colônia, Império e República, em cada tempo histórico, o Brasil construiu seus ressentidos. Alimentou-os. [...] Mais do que “reivindicar a voz daqueles que são obrigados a sofrer calados”, é necessário construir uma via de emancipação e autonomia política. (Texto adaptado de COTTA, Francis Albert. Vozes das Ruas: Ressentimentos Sociais e Manifestações Populares em Junho de 2013. Belo Horizonte: Edições Superiores, 2017, p. 23-30 e 161- 163). 

Na explicação das Jornadas de Junho como movimentos plurais, é CORRETO afirmar:

  • A categorização é de movimentos de caráter essencialmente social, cujas reivindicações são insatisfações com os valores da sociedade, não envolvem, portanto, outras instâncias tradicionais de manifestações, como economia e política.
  • A formação da pluralidade das reivindicações que se viu nas ruas se vincula essencialmente ao impacto das redes sociais na formação política da sociedade, que substitui claramente a política e a escola nesse processo.
  • A pluralidade mostrada nas ruas reflete o atual impasse da democracia, principalmente com os avanços da própria democratização, e a fragmentação partidária tem levado grupos com diferentes demandas às ruas.
  • As diferentes pautas se relacionavam à distinção da ideia de povo, dividido em duas categorias: o povão, que só defende as políticas sociais, e os setores da classe média, insatisfeitos com tais políticas.
  • As Jornadas confirmam que, com o enfraquecimento dos grupos políticos tradicionais, tais como os sindicatos, partidos e movimentos sociais, o povo tem preferido se representar diretamente na política.
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