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#3484543
Texto da Questão:

Autoridade e contrato pedagógico em Rousseau

Maria de Fátima S. Francisco


    A crise da autoridade docente é uma das questões que mais têm preocupado e desafiado os educadores. Um ponto sobre o qual se está normalmente de acordo acerca desse assunto é que ele é dos mais difíceis de serem pensados – de se encontrar abordagens teóricas esclarecedoras –, para não mencionar a dificuldade ainda maior de se encontrar resoluções práticas para a crise.

   Acreditamos, nesse sentido, que uma visita aos chamados “clássicos” pode trazer-nos eventualmente alguma perspectiva para a qual talvez não tenhamos atentado o suficiente e, desse modo, iluminar nosso olhar sobre um tema que nos inquieta. É com tal intenção que propomos aqui um retorno ao pensamento filosófico e pedagógico do século XVIII, mais precisamente aquele de Jean-Jacques Rousseau. Indo na trilha das convicções de Hannah Arendt, diríamos que é fundamental retomar o fio da tradição, que faz nossa ligação com o passado, mormente quando se trata de crises no campo dos relacionamentos humanos. Pois é possível que estejamos deparando com problemas e questões com as quais os homens do passado também já depararam, e para os quais podem ter encontrado soluções e perspectivas de apreensão que, se não puderem ser reproduzidas por nós, podem ao menos nos indicar um caminho de problematização, a partir do qual nós poderemos formular nossas próprias soluções e perspectivas de apreensão.


S. FRANCISCO, M.F. Autoridade e contrato pedagógico em Rousseau. In: AQUINO, Júlio Groppa. Autoridade e autonomia na escola alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus Editorial, 1999, p. 101. 4ªed. Com adaptações. 

Em se tratando de prática educativa, a chamada “crise de autoridade docente”, de que trata o texto, representa uma problemática que envolve vários aspectos. Um deles é:

  • O fato de que a educação é um fenômeno multifacetado, que envolve não só a relação educador-educando, mas também a responsabilidade da família na educação dos filhos, como complemento do que ele aprende na escola, corroborando a autoridade do educador e não indo de encontro a ela.
  • O fato de que a educação é principalmente uma tarefa de estímulo da liberdade contra a opressão do sistema, de modo que o entendimento dos pais sobre o engajamento político dos educandos é bastante para que a autoridade do professor seja preservada.
  • O fato de que a autoridade do professor não deve ser questionada, uma vez que ele é, no caso da escola pública, um servidor legalmente competente e investido em cargo público após concurso de provas e títulos.
  • O fato de que a autoridade dos pais e a dos professores são mutuamente excludentes, devendo aqueles se submeter a estes no que diz respeito à educação escolar, e estes se submeterem àqueles no que concerne à educação para a vida.
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