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#3689346
Texto da Questão:

Atenção: o texto a seguir deve ser usado para responder à
próxima questão.


Nasce uma crônica


    A moça era bonita, se chamava Fabíola e me perguntou como nascia uma crônica. Entre outras coisas. Ela era repórter do jornal da universidade de Ouro Preto e estava me entrevistando, uma tarefa que eu não desejo a ninguém, enquanto uma câmera de TV gravava tudo. Dei a resposta de sempre. Qualquer coisa pode originar uma crônica. Às vezes, há um assunto em evidência que você é obrigado a comentar. Às vezes, é uma coisa, assim, impressionista; às vezes, é pura invenção, uma frase que sugere uma história, ou um cheiro no ar, ou um incidente banal... Os mistérios, enfim, da criação. Etcetera, etcetera. Não há vezes em que as ideias simplesmente não vêm? Há, há. Acontece muito. Com os anos, as ideias parecem que vão ficando cada vez mais longe, enquanto o seu poder de convocá-las diminui. Você chama e elas não se aproximam. Você grita por socorro e elas continuam longe, lixando as unhas. Você espreme o cérebro e não pinga nada. E hoje nenhum cronista que se respeite pode recorrer ao velho truque de, não tendo assunto, escrever sobre a falta de assunto. Ou desperdiçar papel caro e o tempo do leitor com um parágrafo inteiro só de introdução.


VERISSIMO, Luis Fernando. "Nasce uma crônica". São Paulo. O Estado de São Paulo, caderno 2, p. 49, 01/05/2003. 

O texto “Nasce uma crônica” utiliza variadas estratégias argumentativas para comprovar a defesa de seu ponto de vista, exceto

  • a pontuação fragmentada, com uso frequente de períodos curtos, apontando para um perfil de leitor apressado e distante do ambiente literário.
  • o uso inicial de um exemplo particular de entrevista para discutir mais amplamente a temática da elaboração de uma crônica, construindo uma verdade.
  • a associação da escrita da crônica a elementos próximos do cotidiano do leitor, aproximando o universo estético do utilitário.
  • a perspectiva irônica revelada no fim do texto sobre a escrita da crônica não ser só um parágrafo de introdução, quando é exatamente o que se pratica neste texto.
  • a construção de um estilo próprio de escrita, evidenciado no tom descompromissado, debochado, estabelecendo uma cumplicidade com o leitor.
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