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#3542620

Para Freud, em 1908, o jogo é o primeiro vestígio da atividade poética, a infância da arte. Reencontramos a visão romântica da criança que joga: “toda criança que joga se comporta como poeta, enquanto cria um mundo para si, ou, mais exatamente, transpõe as coisas do mundo em que vive para uma ordem nova que lhe convém”. A importância do jogo e sua seriedade estão ligadas ao investimento psíquico (afetos) que ela manifesta. O jogo, como o sonho acordado, se opõe à realidade (“o contrário do jogo não é a seriedade, mas a realidade”); a diferença mínima é que ele se apoia em uma realidade para fazer dela outra coisa. A referência ao jogo ajuda a circunscrever a especificidade desse comportamento, que permite projetar um mundo conforme as aspirações do psiquismo, sem os entraves devidos à realidade. Desse ponto de vista, o poeta e a criança tem uma atividade semelhante, em que predomina o imaginário: “O poeta faz como a criança que joga; cria um mundo imaginário que leva muito a sério, isto é, que dota de grandes qualidades de afetos, distinguindo-o claramente da realidade”.


BROUGÈRE, Gilles. Jogo e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998, p. 90.


Com base no trecho acima, é correto afirmar que

  • jogo e sonho opõem-se enquanto realidades antagônicas.
  • a poesia e o jogo assemelham-se em sua transposição da realidade.
  • a seriedade do jogo equipara-se à seriedade do sonho
  • a arte atua na contramão da seriedade do jogo.
  • o poeta e a criança exercem atividades contrastantes.
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