‘A Negra’ retrata o mito da negra na formação do povo brasileiro,
elaborada a partir das estórias contadas pelas empregadas
negras da fazenda. As “pretalhonas” com redondezas
afrodisíacas de corpo eram as escolhidas para pajens, mucamas e
molecas, e trocavam aspectos íntimos de influência com as
famílias brasileiras. O mito da negra é (e era) o de possuir um
grande apetite sexual enquanto o homem civilizado teria um
apetite sexual ordinário. A domesticação das mães de criação,
amas de leite, mãe preta, através da tradição do aleitamento
também é notório no mito. A condição social de estar à serviço do
branco introduziu um sistema de submissão e passividade. A
negra sempre apresentava o sorriso contagiante, sensual e
extrovertido, camuflando sua história de sobrevivente como
afrodescendente, no lar doméstico brasileiro, no final do séc. XIX.
(Silvia Meira, MAC USP/ CBHA)
‘A Negra’ é obra seminal muito característica da obra de