O senão deste livro
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse;
eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros
capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco
da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz
certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o
maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de
envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e
nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são
como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param,
resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e
caem... E caem! — Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de
cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse
olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande
vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não
deixa olhos para chorar... Heis de cair.
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Tipografia Nacional. Rio de Janeiro. 1ª ed. 1881.
Segundo o fragmento textual, o verdadeiro senão do livro é
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