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#2855190
Texto da Questão:

Os textos a seguir referem-se à questão:

     “O conhecimento dos fatos redunda, na verdade, em história, em torno do qual sempre girou o jornalismo, mesmo sem pretensões de essência ou sequer de sistematização de seus registros. O que os fatos em si mesmos nos transmitem são conhecimentos contingentes, isto é, que poderiam ser de outra forma, relativos, não necessários”.
            Muniz Sodré, A narração do fato. 2009. pág.32.

    “Obedecidas determinadas regras técnicas, o leitor dispõe-se a crer na versão oferecida pelo profissional. O sensacionalismo, a manipulação da notícia, a propaganda disfarçada são com irrupções maléficas, na boa consciência jornalística, que não é imune às grandes pressões da mídia de entretenimento, ao enfraquecimento institucional de seus mecanismos de apuração do fato e à consequente perda de rigor na transposição do que já foi pactuado com o públicoleitor como realidade objetiva”.
           Muniz Sodré, A narração do fato. 2009. pág. 43.

Menina de 3 anos morre após ser liberada em posto de saúde, diz família

Publicada em 21/09/2010 às 16h14m
                                                        RJTV
    
    RIO - A menina Emily dos Santos, de 3 anos, morreu na segunda-feira, um dia após ser atendida no Posto de Atendimento Médico (PAM) de Del Castilho, na Zona Norte do Rio. Ela começou a ter febre e enjoo no último domingo. Segundo a família, foi diagnosticada uma inflamação na garganta da criança, mas não teriam sido realizados exames.
   — Eles deram uma injeção junto com medicamentos para febre e enjoo. Ela tomou soro, ficou em observação e dispensaram – contou o pai de Emily.     De acordo com o PAM, logo que chegou, a menina foi avaliada e medicada. Ao chegar em casa, a criança voltou a sentir dores no corpo. No dia seguinte, segundo o telejornal "RJTV", os pais encontraram a filha morta. Eles levaram a criança até o Hospital de Irajá, na Zona Norte, que informou que a morte teria sido causada por meningite infecciosa. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve levar 30 dias para ficar pronto.
    A Secretaria Municipal de Saúde determinou a abertura de sindicância para apuração dos fatos e esclarecimento do caso. O corpo de Emily será enterrado nesta terça-feira no Cemitério de Irajá.

A matéria em questão não evidencia:

  • a unificação e convergência da produção do jornalismo por parte das corporações de mídia, com replicação e redundância do noticiário, o que diminui o número de fatos cobertos e a possibilidade de apuração de diferentes aspectos vinculados a um mesmo assunto.
  • o aparecimento pontual nos meios de comunicação de doenças importantes como, no caso, a meningite bacteriana, com a exclusão de suas características patológicas, clínicas e epidemiológicas e sua relação com aspectos sociodemográficos e geográficos.
  • a banalização da cobertura jornalística da medicina de urgência, que, na realidade, envolve assistência de alta complexidade e apresenta aspectos profundamente insatisfatórios tanto na área da assistência pública universal (que dão conta do atendimento majoritário de urgência à população em geral), quanto na privada (que não possui recursos para dela dar conta) e, principalmente, nas empresas de grupo de saúde (seguradoras e bancos), que patrocinam impressos, sites de internet e audiovisuais noticiosos.
  • uma cobertura jornalística que reproduz a cultura de uma sociedade que lida com a saúde vinculada principalmente ao assistencialismo, ou seja, entende saúde apenas como atendimento médico de doenças e não como um aspecto integral de bem estar social, segundo a definição de saúde da Organização Mundial de Saúde.
  • que os jornalistas são desprovidos de conhecimentos de relevância em ciência e saúde e têm pouco interesse por assuntos que dizem respeito a áreas menos privilegiadas das metrópoles brasileiras.
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