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#1948715

A ênfase na chamada “transição” da escravidão (ou do escravismo, ou do modo de produção escravista) ao trabalho livre (ou à ordem burguesa) é problemática porque passa a noção de linearidade e de previsibilidade de sentido no movimento da história. Ou seja, postulando uma teoria do reflexo mais ou menos ornamentada pelo político e pelo ideológico, o que se diz é que a decadência e a extinção da escravidão se explicam em última análise a partir da lógica da produção e do mercado.
CHALHOUB, Sidney. Visões da Liberdade: as últimas décadas da escravidão na Corte. SP: Companhia das Letras, 2011. p.20.
Com esta afirmação, o autor procura evidenciar que: 

  • para discutir esse momento histórico, é fundamental a utilização do conceito de “transição” ao invés de “processo histórico”, já que o primeiro transmite a correta ideia de previsibilidade dos acontecimentos em curso.
  • tal visão a respeito da escravidão no Brasil torna-se errônea por considerar que os acontecimentos foram historicamente inevitáveis, já que estariam fora do alcance das intenções e das lutas dos próprios agentes sociais.
  • o processo de transição do trabalho escravo para o trabalho livre só pode ser compreendido a partir de uma teoria marxista. Fato expresso pela utilização das expressões “modo de produção” e “ordem burguesa”
  • no Brasil, a marginalização de grande parcela dos ex-escravizados tornou-se inevitável, dada a ordem econômica em curso, que reprimia qualquer movimento de mudança social.
  • ao analisar a história, é preciso respeitar visões divergentes quanto aos acontecimentos. Por isso a historiografia necessita aceitar entendimentos que defendam, por exemplo, que a escravidão no Brasil não trouxe grandes malefícios às populações de origem africana.
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