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#1621925
Texto da Questão:


Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. 


O colégio de Tia Gracinha 

     Tia Gracinha, cujo nome ficou no grupo escolar Graça Guardia, de Cachoeiro do Itapemirim, era irmã de minha avó paterna, mas tão mais moça que a tratava de mãe. Tenho do colégio de Tia Gracinha uma recordação em que não sei o que é lembrança mesmo e lembrança de conversa que ouvi menino.

      Lembro-me, sobretudo, do pomar e do jardim do colégio, e imagino ver moças de roupas antigas, cuidando das plantas. O colégio era um internato de moças. Elas não aprendiam datilografia nem taquigrafia, pois o tempo era de pouca máquina e nenhuma pressa. Moças não trabalhavam fora. As famílias de Cachoeiro e de muitas outras cidades do Espírito Santo mandavam suas adolescentes para ali; muitas eram filhas de fazendeiros. Recebiam instrução geral, uma espécie de curso primário reforçado, o mais eram prendas domésticas. Trabalhos caseiros e graças especiais: bordados, jardinagem, francês, piano...

      A carreira de toda moça era casar, e no colégio de Tia Gracinha elas aprendiam boas maneiras. Levavam depois, para as casas de seus pais e seus maridos, uma porção de noções úteis de higiene e de trabalhos domésticos, e muitas finuras que lhes davam certa superioridade sobre os homens de seu tempo. Pequenas etiquetas que elas iam impondo suavemente, e transmitiam às filhas.

      Tudo isto será risível aos olhos das moças de hoje; mas a verdade é que o colégio de Tia Gracinha dava às moças de então a educação de que elas precisavam para viver sua vida. Não apenas o essencial, mas muito mais do que, sendo supérfluo e superior ao ambiente, era por isto mesmo, de certo modo, funcional – pois a função do colégio era uma certa elevação espiritual do meio a que servia. Tia Gracinha era o que bem se podia chamar uma educadora. 

        (Abril, 1979)


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Recado de primavera. Rio de Janeiro: Record, 1984, p. 52-53) 

No segundo parágrafo, entende-se que um internato de moças como o de Tia Gracinha 

  • era uma forma de compensar o conservadorismo masculino com o atendimento das inclinações vocacionais legitimamente femininas.
  • existia para poupá-las da tentação de se ocupar em atividades reservadas aos homens, como as exigidas pelas máquinas e pela velocidade moderna.
  • funcionava como uma forma de democratização, reservando-se algum espaço para as adolescentes de famílias economicamente mais frágeis.
  • privilegiava, no que dizia respeito às mulheres, um encaminhamento funcional considerado digno das filhas das classes dominantes.
  • atendia a exigências que partiam das mulheres mesmas, dispostas a tornarem exclusivo um aprendizado que só a elas dizia respeito.
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