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#1730096

Considere o texto abaixo.


                                      A decisão de ler


      Os jovens passam o dia lendo. A frase deveria animar todos, só que não. São mensagens monossilábicas em celulares, acrescidas de pequenas imagens, um jejum de ideias e abundância de onomatopeias. [...] A maneira de registrar a escrita é gêmea xifópaga do pensamento rápido. É um espoucar de emojis [...] Desaparece a acentuação, somem vogais, omitem-se sinais de pausas como vírgulas e chovem exclamações. Subordinadas faleceram há anos, subjuntivo está em fossilização avançada [...] Língua é viva e sempre foi transformada pelos usuários. É necessário refletir sobre o dinamismo dela e seus novos suportes.

       [...] Convivo com jovens há mais de três décadas. A inteligência não diminuiu [...] Aumentou o apreço pelo discurso direto, pela imagem e pela velocidade.

      [...] Jovens estarão sempre “antenados” em seus aparelhos, especialmente se o entorno contiver adultos, professores ou gente que fala outra língua geracional. Talvez seja uma boa defesa mesmo. Quero dar outras.

      Uma obra clássica contraria tudo o que eles leem no smartphone. Ela resiste ao primeiro contato, apresenta uma experiência prolongada que demanda foco por muito mais tempo do que uma “tuitada”. Orações longas, palavras desconhecidas, narrativas detalhistas, erudição e referências em cascata: muitas pedras na estrada do leitor superficial. [...] os clássicos representam uma jornada que muda o leitor peregrino. Ler detidamente o Hamlet [...] de Shakespeare ou o D. Quixote de Cervantes produz uma mudança permanente [...] A frase de celular, o desenho animado e o meme divertido constituem jujubas vermelhas, doces e agradáveis. Um segundo e pluft! Foi-se o sabor e a experiência. Cervantes pede que você se sente, coloque o guardanapo sobre o colo, respire fundo, abra em silêncio as páginas e comece um banquete demorado, semanas [...], meses [...] releia, até ter aprendido a degustar todas as sutilezas apresentadas.

      Se o leitor-comensal se permitiu, terminará satisfeito, melhor, alimentado, transformado por dentro. Ele poderá continuar com jujubas vermelhas, [...] mas terá um outro olhar [...] vislumbrará de forma original para o mundo onde todos repetem as mesmas ideias no banho-maria eterno do cotidiano.

     [...] O mundo do futuro é o da inteligência.

(KARNAL, Leandro. A decisão de ler. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 nov. 2017. Caderno 2. p. 9) 


O fragmento que sintetiza a ideia principal do texto é 

  • Os jovens passam o dia lendo e escrevendo mensagens monossilábicas no celular, acrescidas de emojis, assim, passam a menosprezar a acentuação, a pontuação, as construções sintáticas mais elaboradas e até mesmo certos modos verbais.
  • A língua é viva e, em razão disso, modifica-se constantemente, conforme as necessidades dos usuários.
  • Os jovens preferem se dedicar à leitura e à escrita de mensagens no celular a interagir com professores ou quaisquer pessoas que façam uso de outra língua geracional.
  • A leitura dos clássicos é um desafio enriquecedor para os jovens, pois a “forma-conteúdo” destas obras, ao contrário daquela das mensagens de celular, é capaz de inaugurar uma transformação interna e duradoura no leitor, ao estimular a reflexão e a criatividade.
  • A leitura de monossílabos, onomatopeias, emojis, memes em mensagens de celular é algo divertido, mas de caráter efêmero, assim, pode ser comparada à ação de degustar uma jujuba, cujo sabor é esquecido assim que a bala termina.
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