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#2389615
Texto da Questão:

Não surpreende que, em todo lugar, esteja em curso uma corrosão do sono, dada a dimensão do que está economicamente em jogo.

Já em meados do século XVII, a incompatibilidade do sono com noções modernas de produtividade passou a ser notada. Descartes, Hume e Locke foram apenas alguns dos filósofos que apontavam para a sua irrelevância na busca do conhecimento.

Última das “barreiras naturais", para usar a expressão de Marx, à completa realização do capitalismo "24 horas", o sono não pode ser eliminado. Mas pode ser arruinado e despojado, e existem métodos e motivações para destruí-lo.

Pesquisas recentes mostram que cresce exponencialmente o número de pessoas que acordam uma ou mais vezes durante a noite para verificar mensagens ou informações. Uma figura de linguagem recorrente e aparentemente inócua é o sleep mode [modo de hibernação], inspirada nas máquinas. A ideia de um aparelho em modo de consumo reduzido e de prontidão transforma o sentido mais amplo do sono em mera condição adiada ou diminuída de operacionalidade.

O dano ao sono é inseparável do atual desmantelamento da proteção social em outras esferas. Estado mais privado e vulnerável de todos, o sono depende crucialmente da sociedade para se sustentar. Um dos exemplos vívidos da insegurança do estado de natureza no Leviatã de Thomas Hobbes é a vulnerabilidade de um indivíduo adormecido diante dos inúmeros perigos de cada noite. Assim, uma obrigação rudimentar dos membros da comunidade é oferecer segurança para os que dormem, não apenas contra perigos reais, mas - igualmente importante - contra a ansiedade e temores que geram.

Diversos pressupostos fundamentais a respeito da coesão das relações sociais se aglutinam em torno da questão do sono - na reciprocidade entre vulnerabilidade e confiança, entre exposição e proteção.

(Adaptado de: Revista Piauí. Ed. 96, 09/14)

Considerando-se o contexto, está correto o que se afirma em:

  • Tanto a expressãoÚltima das “barreiras naturais”como o pronome destacado em destruí-loreferem-se ao sono. (3oparágrafo)
  • O termoinócuafoi empregado com o sentido de “prejudicial”. (4oparágrafo)
  • A preposição “para” está empregada com a mesma acepção nos seguintes segmentos:para verificar mensagens ou informações(4oparágrafo)e oferecer segurança para os que dormem(5oparágrafo).
  • Mantêm-se o sentido original e a correção substituindo-se a conjunção sublinhada emAssim, uma obrigação rudimentar dos membros da comunidade... por “Porquanto”. (5oparágrafo)
  • Sem prejuízo da correção e do sentido, o segmentoO dano aosonopode ser substituído por “A supressão à vigília”. (5oparágrafo)
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