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#2180920
Texto da Questão:

As questão seguinte refere-se ao texto
abaixo.

A bailarina

A profissão de bufarinheiro está regulamentada; contudo,
ninguém mais a exerce, por falta de bufarinhas*. Passaram a
vender sorvetes e sucos de fruta, e são conhecidos como
ambulantes.
Conheci o último bufarinheiro de verdade, e comprei dele
um espelhinho que tinha no lado oposto a figura de uma
bailarina nua. Que mulher! Sorria para mim como prometendo
coisas, mas eu era pequeno, e não sabia que coisas fossem.
Perturbava-me.
Um dia quebrei o espelho, mas a bailarina ficou intata.
Só que não sorria mais para mim. Era um cromo como outro
qualquer. Procurei o bufarinheiro, que não estava mais na
cidade, e provavelmente teria mudado de profissão. Até hoje
não sei qual era o mágico: se o bufarinheiro, se o espelho.

* bufarinhas ? mercadorias de pouco valor; coisas insignificantes.
(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis, in Prosa
Seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003, p.89)


O texto se desenvolve como

  • depoimento de uma criança sobre o espelhinho que tinha no lado oposto a figura de uma bailarina nua, registrado em sua memória.
  • discussão em torno da importância de certas profissões, ainda que se destinem ao comércio de bufarinhas.
  • crítica a um tipo de vendedores que não se preocupa com valores morais, como no caso da figura da bailarina nua vendida a uma criança.
  • relato de caráter pessoal, em que o autor relembra uma situação vivida quando era pequeno e reflete sobre ela.
  • ensaio de caráter filosófico, em que o autor questiona o dilema diante de certos fatos da vida, apontado na dúvida final: Até hoje não sei qual era o mágico.
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