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#3375724
Texto da Questão:

Instruções: Para responder às questões de números 31 a 40, considere os textos I, II e III apresentados abaixo.


Texto I

Quando me perguntam


Quando me perguntam por que não aderi a essa história de “estória”, respondo (e não evasivamente) que é simplesmente porque, para mim, tudo é verdade mesmo. Acredito em tudo. Acreditar no que se lê é a única justificativa do que está escrito. Ai do autor que não der essa impressão de verdade! Que é uma história? É um fato – real ou imaginário – narrado por alguém. O contador de histórias não é um contador de lorotas. Ou, para bem frisar a diferença, o contador de histórias não é um contador de estórias. E depois, por que hei de escrever “estória” se eu nunca pronunciei a palavra desse modo? Não sou tão analfabeto assim. Parece incrível que talvez a única sugestão infeliz do mestre João Ribeiro tenha pegado por isso mesmo ... Também um dia parece que Eça de Queirós se distraiu e o Conselheiro Acácio, por vingança, lhe soprou esta frase pomposa: “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia.” Tanto bastou para que lhe erguessem um monumento, com a citada frase perpetuada em bronze! Pobre Eça ...

O mundo é assim.

(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 242)


Texto II


Encontra-se registrado no Dicionário Aurélio, p. 839 e 1055, respectivamente, o seguinte:


estória – s.f. V. história. [Recomenda-se apenas a grafia história, tanto no sentido de ciência histórica, quanto no de narrativa de ficção, conto popular, e demais acepções.]


história – S.f. 1. narração metódica dos fatos notáveis ocorridos na vida dos povos, em particular, e na vida da humanidade, em geral. 2. Conjunto de conhecimentos adquiridos através da tradição e/ou por meio de documentos, relativos à evolução, ao passado da humanidade. 3. Ciência e método que permitem adquirir e transmitir aqueles conhecimentos. 4. O conjunto das obras referentes à história. 5. Conjunto de conhecimentos relativos a esta ciência, ou que têm implicações com ela, ministrados nas respectivas faculdades. 6. Tratado ou compêndio de história. 7. Exemplar de um desses tratados ou compêndios. 8. Estudo das origens e processos de uma arte, de uma ciência ou de um ramo de conhecimento. 9. Narração de acontecimentos, de ações, em geral cronologicamente dispostos. 10. Narração de fatos, acontecimentos ou particularidades relativas a um determinado assunto. 11. Conto, narração, narrativa. 12. Enredo, trama, fábula. 13. Patranha, lorota, peta, conto. 14. Complicação, amolação, chateação. 15. Luxo, melindre, dengue, complicação. 16. Relação amorosa, caso, aventura. 17. Coisa, objeto, negócio, troço.


Texto III


Lê-se no Dicionário Houaiss, p. 1259:


estória – s.f. 1. ant.m.q. HISTÓRIA. 2. (1912) narrativa de cunho popular e tradicional; história. ETIM. ingl. story (s XIIIXV) narrativa em prosa ou verso , fictícia ou não, com o objetivo de divertir e/ou instruir o ouvinte ou o leitor, do anglo-francês estorie, do fr. ant. estoire e, este, do lat. historia, ae, f. dvg. de história, adotada pelo conde de Sabugosa com o sentido de narrativa de ficção, segundo informa J.A.Carvalho em seu livro

Discurso & Narração.



Atenção: As questões de números 31 a 39 baseiam-se no Texto I.

Considere os Textos II e III, em sua relação com o Texto I, para responder a esta questão.


A afirmativa correta é:

  • Considerando-se os TextosIIeIII,verifica-se que ambos os dicionaristas concordam com o uso da palavraestóriacomo narrativa de ficção.
  • De acordo tanto com Mario Quintana, quanto com os dicionaristas citados, é indiferente usar as palavrasestóriaehistória, porque os significados atribuídos a elas se confundem.
  • Percebe-se da leitura do TextoIque seu autor concorda com os dicionaristas no sentido de interpretar corretamente o sentido diferenciado dos verbetes estória e história.
  • A opinião do autor do TextoIcondiz com as considerações dos dicionaristas a respeito do mesmo fato lingüístico, especialmente quanto ao que consta no TextoII.
  • É necessário considerar os registros dos dicionários para entender com clareza o que Mario Quintana tentou expor em seu texto a respeito do sentido exato do verbeteestória.
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