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Foram encontradas 70 questões.
#3366910
Texto da Questão:

Atenção: As questões de números 1 a 6 referem-se ao texto apresentado abaixo.

1 Os mitólogos costumam chamar de imagens de

mundo certas estruturas simbólicas pelas quais, em todas

as épocas, as diferentes sociedades humanas fundamen

taram, tanto coletiva quanto individualmente, a experiência

5 do existir. Ao longo da história, essas constelações de

idéias foram geradas quer pelas tradições étnicas, locais,

de cada povo, quer pelos grandes sistemas religiosos. No

Ocidente, contudo, desde os últimos três séculos uma

outra prática de pensamento veio se acrescentar a estes

10 modos tradicionais na função de elaborar as bases de

nossas experiências concretas de vida: a ciência. Com

efeito, a partir da revolução científica do Renascimento as

ciências naturais passaram a contribuir de modo cada vez

mais decisivo para a formulação das categorias que a

15 cultura ocidental empregará para compreender a realidade

e agir sobre ela.

Mas os saberes científicos têm uma característica

inescapável: os enunciados que produzem são necessaria

mente provisórios, estão sempre sujeitos à superação e à

20 renovação. Outros exercícios do espírito humano, como a

cogitação filosófica, a inspiração poética ou a exaltação

mística poderão talvez aspirar a pronunciar verdades

últimas; as ciências só podem pretender formular verdades

transitórias, sempre inacabadas. Ernesto Sábato assinala

25 com precisão que todas as vezes que se pretendeu elevar

um enunciado científico à condição de dogma, de verdade

final e cabal, um pouco mais à frente a própria

continuidade da aplicação do método científico invariavel

mente acabou por demonstrar que tal dogma não passava

30 senão... de um equívoco. Não há exemplo melhor deste

tipo de superstição que o estatuto da noção de raça no

nazismo


(Luiz Alberto Oliveira. “Valores deslizantes: esboço de um ensaio sobre técnica e poder”, In O avesso da liberdade. Adauto Novaes (Org). São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 191)

No parágrafo 2,

  • a conjunçãoMas(linha 17) foi empregada não para eliminar o que foi dito anteriormente, e, sim, para introduzir uma contrapartida do objeto, fruto de distinta perspectiva de análise.
  • constrói-se uma relativização das conquistas da ciência, sustentada na crítica de que ela se vale de procedimentos pouco objetivos na busca da verdade.
  • constata-se o caráter incontrolável das experiências científicas, implicitamente atribuído às condições de descontinuidade em que se realizam.
  • a expressãonecessariamente provisórios(linhas 18 e 19) compõe uma advertência, dirigida a filósofos, poetas e místicos, que desconsideram a objetividade na produção do saber.
  • incentiva-se a luta do ser para a constante superação de suas fragilidades pessoais, advindas de sua humana condição e permanente sujeição ao erro.
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