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#3334359
Texto da Questão:

Da incoerência de nossas ações

        Não é de espantar, diz um autor antigo, que o acaso tenha tanta força sobre nós, pois por causa dele é que existimos. Quem não orientou sua vida, de um modo geral, em determinado sentido, não pode tampouco dirigir suas ações. Não tendo tido nunca uma linha de conduta, não lhe será possível coordenar e ligar uns aos outros os atos de sua existência. De que serve fazer provisões de tintas se não se sabe que pintar? Ninguém determina do princípio ao fim o caminho que pretende seguir na vida: só nos decidimos por trechos, na medida em que vamos avançando. O arqueiro precisa antes escolher o alvo; só então prepara o arco e a flecha e executa os movimentos necessários; nossas resoluções se perdem porque não temos um objetivo predeterminado. O vento nunca é favorável a quem não tem um porto de chegada previsto. (...)
        Nossa maneira habitual de fazer as coisas está em seguir os nossos impulsos instintivos para a direita ou para a esquerda, para cima ou para baixo, segundo as circunstâncias. Só pensamos no que queremos no próprio instante em que o queremos, e mudamos de vontade como muda de cor o camaleão. O que nos propomos em dado momento, mudamos em seguida e voltamos atrás, e tudo não passa de oscilação e inconstância. “Somos conduzidos como títeres que um fio manobra”, afirmou Horácio. Não vamos, somos levados como os objetos que flutuam, ora devagar, ora com violência, segundo o vento.

(Montaigne, Ensaios)

O emprego e a grafia de todas as palavras estão corretos na frase:

  • Aquele que não descriminar bem suas metas sucumbirá aos tropeços nas pedras de que o acaso tão caprichosamente provém nosso caminho.
  • Se não nos atermos com firmeza às nossas próprias convicções, baudados serão os esforços que fizermos para chegarmos a um bom porto.
  • As ocorrências fortuítas que nos prejudicam são preferíveis do que aquelas que, por responsabilidade nossa, nos fazem sofrer.
  • Sentimos como algo inóquo o eventual sucesso de que desfrutamos sem que a ele tenhamos feito juz por nossos próprios méritos.
  • Ninguém deve proclamar-se infenso à força do estino, pois este constitui um inextricável processo que desafia o nosso arbítrio.
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