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#2292839
Texto da Questão:

Leia o relato a seguir, escrito por Clarice Lispector, para responder à próxima questão.

“Quem nunca roubou não vai me entender. Eu, em pequena, roubava pitangas. Havia uma igreja presbiteriana perto de casa, rodeada por uma sebe verde, alta e tão densa que impossibilitava a visão da igreja. A sebe era de pitangueira. Mas pitangas são frutas que se escondem: eu não via nenhuma. Então, olhando antes para os lados para ver se ninguém vinha, eu metia a mão por entre as grades, mergulhava-a dentro da sebe e começava a apalpar até meus dedos sentirem o úmido da frutinha. Muitas vezes na minha pressa, eu esmagava uma pitanga madura demais com os dedos que ficavam como ensanguentados. Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de pitangas tem cem anos de perdão”.

(Com adaptações)

O texto se conclui com a afirmação de que “ladrão de pitangas tem cem anos de perdão”. Marque a opção que indica o recurso linguístico utilizado pela autora nesse trecho.

  • Alusão, pois faz referência ao provérbio popular, segundo o qual “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”.
  • Antítese, pois independentemente do tamanho do furto, há um paradoxo em não ter sido aplicada a devida justiça nesse caso.
  • Cacofonia, no intuito de dar ênfase aos sons e sensações presentes em toda a sua narrativa.
  • Prosopopeia, como é típico dos textos autobiográficos, em que se percebe nitidamente a humanização do próprio autor.
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