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#2714882

SONETO DE FIDELIDADE

Vinícius de Morais

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes. Antologia Poética. Editora do Autor: Rio de Janeiro, 1960, pg. 96)

Acerca do poema, pode-se afirmar:

  • O poeta desrespeita a gramática ao utilizar um Pleonasmo na segunda estrofe: “E rir meu riso”. Porém, como se trata de um grande escritor brasileiro, o fato é desprezado pelos estudiosos da Língua Portuguesa. A esse fenômeno dá-se o nome de ‘licença poética’.
  • Na última estrofe, o verso “Mas que seja infinito enquanto dure”, refere-se à chama, que não deve ser imortal.
  • Na segunda estrofe, a expressão: “E rir meu riso” é um caso de Pleonasmo, contudo, deve-se observar que os pleonasmos se justificam quando há uma intencionalidade estilística, o que ocorre neste caso.
  • Da primeira estrofe deduz-se que o amor é tão forte que não necessita de cuidados.
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