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#3667210
Texto da Questão:

Índio eu não sou

-

Não me chame de "índio" porque
Esse nome nunca me pertenceu
Nem como apelido quero levar
Um erro que Colombo cometeu.

-

Por um erro de rota
Colombo em meu solo desembarcou
E no desejo de às Índias chegar
Com o nome de "índio" me apelidou.

-

Esse nome me traz muita dor
Uma bala em meu peito transpassou
Meu grito na mata ecoou
Meu sangue na terra jorrou.

-

Chegou tarde, eu já estava aqui
Caravela aportou bem ali
Eu vi "homem branco" subir
Na minha Uka me escondi.

-

Ele veio sem permissão
Com a cruz e a espada na mão
Nos seus olhos, uma missão
Dizimar para a civilização.

-

"Índio" eu não sou.
Sou Kambeba, sou Tembé
Sou kokama, sou Sataré
Sou Guarani, sou Arawaté
Sou tikuna, sou Suruí
Sou Tupinambá, sou Pataxó
Sou Terena, sou Tukano
Resisto com raça e fé.

A expressão "Índio eu não sou" é repetida de maneira explícita e implícita ao longo do poema. Do ponto de vista discursivo, essa repetição cumpre a função de:

  • destacar somente o erro linguístico cometido por Colombo que, por sua vez, não gerou consequências de ordem cultural, ideológica e histórica.
  • sugerir dúvida sobre o pertencimento étnico do sujeito, já que ele não se identifica como índio, logo, não sabe quem é.
  • reafirmar uma negação identitária e propor reexistência simbólica, por meio da marcação de diferentes povos indígenas.
  • reforçar a musicalidade do texto, sem carga semântica relevante para a construção da temática do poema.
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