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#3191929

Leia o texto a seguir.


A figura que reinava no imaginário da intelectualidade brasileira e que tem sua síntese no Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato, em 1918, como meio de descrever o típico homem do interior, mobiliza imagens de um país assolado pela doença e pela vermina, decorrente da falta de saneamento, de nutrição e de instrução, mas também fruto do descaso dos governantes. Para os explicadores do Brasil da década de 1910 e 1920, o problema estava em como sanear as imensas populações de jecas-tatus espalhadas pelo território nacional, moralizar seus corpos e desmistificar “[...] o mobiliário cerebral do Jeca [...] [e] o suculento recheio de superstições [...]” (LOBATO, 1918, p. 286) que povoavam a sua mente. (...) O melhor caminho seria a imigração, modo mais simples de melhorar as características raciais do brasileiro. (...) Conforme Leite (1992), vários ensaístas, como Silvio Romero e Euclides da Cunha, acreditavam que somente o branqueamento da população poderia salvar o Brasil da degenerescência. Lugarcomum nos estudos ditos científicos do final do século XIX, que procuravam provar a desigualdade das raças, das quais a branca e a europeia seriam superiores, o tema da degeneração, de acordo com Blanckaert (2001, p. 149), mobilizava outras questões como “[...] os efeitos da mestiçagem entre raças diferentes, a limitação da imigração de variada extração, a parte do inato e do adquirido nas gerações, os problemas de aclimatação nas colônias, a detecção das frações ‘degeneradas’ da humanidade (alcoólicos, epilépticos, loucos, pervertidos e criminosos”. As ideias de tornar o Brasil um país livre dos seus “males de origem”, utilizando o expediente da imigração, são bem localizadas na historiografia. (...) O corpo era o alvo a ser atingido pela educação física, a melhoria das condições biotipológicas pela adoção de regras de higiene, nas quais estavam inclusos o amor pelo esporte, a exercitação diária, o aprendizado na escola das regras de saúde, o culto ao padrão grego de estética corporal, o amor à pátria e a moralização dos hábitos que poderiam levar à degenerescência.

SCHNEIDER, O.; NETO, A. F. Intelectuais, educação e educação física um olhar historiográfico sobre saúde e escolarização no Brasil. Revista Brasileira de Ciências dos Esporte, Campinas, v. 27, n. 3, p. 73- 92, maio, 2006, p. 76. [Adaptado].


O texto refere-se ao preconceito como forma de razão científica, que apontava desde então, o corpo como alvo e os objetivos da Educação Física como sendo 

  • a formação de uma sociedade justa, igualitária, livre e emancipada, organizada pelo trabalho livremente associado, em que as diferenças não sejam fortalecidas e sustentadas pelas desigualdades e marcadores sociais; que o corpo seja livre e uma expressão do gênero humano numa perspectiva de omnilateralidade.
  • a melhoria das condições biotipológicas pela adoção de regras de higiene, nas quais estavam inclusos o amor pelo esporte, a exercitação diária, o aprendizado na escola das regras de saúde, o culto ao padrão grego de estética corporal, o amor à pátria e a moralização dos hábitos que poderiam levar à degenerescência.
  • se tornar ciência autônoma e uma disciplina acadêmica/científica que investiga as diferentes formas de expressão da cultura corporal, tais como a motricidade humana, ciência do movimento, ciências do exercício, cinesiologia, cineantropologia, psicocinética, praxiologia, tratando do desenvolvimento humano a partir do referencial fisiológico.
  • produzir uma filosofia da corporeidade em duas perspectivas: a existencialista, que configura a educação física no discurso filosófico da corporeidade, dando ênfase ao lúdico, à sexualidade, às práticas alternativas de expressão corporal; e a segunda, culturalista, que prevê a reconstrução da Educação Física na ótica do lazer populares e tradicionais.
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