As Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, são um
paradigma do que se pode chamar literatura de
testemunho: nem pura ficção, nem pura historiografia. O
fundo histórico é o da ditadura Vargas, mas o testemunho
vive e elabora-se numa zona de fronteira: ao percorrer
essas memórias, somos levados tanto a reconstituir a
fisionomia e os gestos de alguns companheiros de prisão
de Graciliano, entre os quais líderes comunistas, como a
contemplar a metamorfose dessa matéria objetiva em
uma prosa una e única − a palavra do narrador.
BOSI, Alfredo. Literatura e resistência. São Paulo: Companhia das Letras,
2002, p. 222. [Adaptado].
O texto remete à definição de “literatura de testemunho”
como uma produção literária em que
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