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#2655653
Texto da Questão:

NÃO HÁ VAGAS


O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão


O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras

̶ porque o poema, senhores,

..está fechado:

"não há vagas"


Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço


O poema, senhores,

não fede

nem cheira

FERREIRA GULLAR. Não há vagas. Antologia Poética. Disponível em: . Acesso em:<http://www.citador.pt/poemas/nao-ha-vagas-ferreira-gullar> 17 ago. 2017.

O poema de Ferreira Gullar, publicado em 1963, encaixa-se no movimento literário modernista. O texto, de forma geral, revela a necessidade de a poesia não se furtar às questões sociais. Nesse contexto, o sentido do poema é:

  • irônico, pois o que se compreende é exatamente o contrário do que nele é dito.
  • polissêmico, visto que textos poéticos permitem múltiplas leituras e interpretações.
  • figurado, em virtude da utilização de grande número de figuras de linguagem.
  • ambíguo, em decorrência do emprego de diversas expressões de duplo sentido.
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