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#1997807

Ao se referir à música colonial, Kiefer questiona a contribuição irrelevante da tradição dos mulatos nesse período, conforme se pode observar: “por que não se nota em suas obras [dos compositores coloniais] a presença da terra? Por que não transparece uma influência, por discreta que fosse, dos ritmos africanos? Já que grande parte dos músicos eram mulatos, não seria o caso de se esperar uma contribuição maior de sua herança musical?” (KIEFER, Bruno. História da música brasileira, dos primórdios ao início do séc. XX. Porto Alegre: Movimento, 1977).

A herança africana não aparece nas músicas coloniais brasileiras porque:

  • os ricos patrões da classe dominante, ligados ao lucrativo Ciclo do Ouro, proibiam de forma explícita quaisquer práticas musicais que, de alguma forma, remetessem ao universo musical africano.
  • a música africana era praticada por instrumentos de percussão, e a colonial era composta para ser interpretada por instrumentos de cordas e conjuntos vocais.
  • a posição dos mulatos é uma decorrência de seu intenso desejo de ascensão aos padrões da classe dominante. Só podiam olhar com angústia para trás, para a sua cor. Não seriam eles que iriam incorporar em suas músicas elementos das danças africanas.
  • os mulatos viram que os elementos da música africana ficavam inadequados a uma prática musical ligada à corrente estética Rococó-Classicismo. Por serem músicos talentosos, captaram logo essa questão.
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