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#2365077

Leia o fragmento a seguir.

Tudo o que foi possível saber de M.J., 29 anos, branca, brasileira, casada, provém de sucintas observações anotadas em sua ficha de observação. Internada na Casa de Saúde Dr. Eiras em 27 de maio de 1896, foi submetida a observação do Dr. Vicente Maia. Os principais sintomas de sua doença foram buscados pelo psiquiatra nos “antecedentes pessoais” da paciente. Revelando uma “vivacidade precoce”, durante a infância, apresentou sensíveis melhoras do estado psicopático depois de ter se casado, revelando “extrema dedicação ao marido”, ao qual, contudo, repudiaria mais tarde, abandonando o “lar doméstico” e entregando-se “sucessivamente a três homens de baixa classe”.

ENGEL, Magali. Psiquiatria e feminilidade. In: DEL PRIORE, Mary (Org.) & BASSANEZI, Carla (coord. de textos). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto/Ed. UNESP, 1997. p. 323. [Adaptado].


No final do século XIX, o discurso médico direciona-se para a mulher, inclusive no Brasil. O caso destacado, a partir das observações médicas e do diagnóstico clínico, indica a

  • liberalização nos costumes e a desagregação familiar, devido à urbanização e à vida comunal nos cortiços das classes de baixa renda.
  • emancipação feminina, com o advento do feminismo e a inserção da mulher no trabalho fabril.
  • laicização do conhecimento, com a consolidação do cientificismo e do naturalismo que rompiam com o moralismo católico vigente.
  • imputação de loucura e histeria às mulheres que apresentavam comportamentos divergentes do modelo moral hegemônico.
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