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#3093526

Considere o texto sobre metodologia de análise dos arranjos espaciais.

Nas atuais condições, os arranjos espaciais não se dão apenas através de figuras formadas por pontos contínuos e contíguos. Hoje, ao lado dessas manchas, ou sobre essas manchas, há, também, constelações de pontos descontínuos, mas interligados, que definem um espaço de fluxos reguladores. [...] De um lado, há extensões formadas de pontos que se agregam sem descontinuidade, como na definição tradicional de região. São as horizontalidades. De outro lado, há pontos no espaço que, separados uns dos outros, asseguram o funcionamento global da sociedade e da economia. São as verticalidades. O espaço se compõe de uns e de outros desses recortes, inseparavelmente. [...] As verticalidades são vetores de uma racionalidade superior e do discurso pragmático dos setores hegemônicos, criando um cotidiano obediente e disciplinado. As horizontalidades são tanto o lugar da finalidade imposta de fora, de longe e de cima, quanto o da contrafinalidade, localmente gerada. [...] Paralelamente, forças centrípetas e forças centrífugas atravessam o território, como tendências ao mesmo tempo contrastantes e confluentes, agindo em diversos níveis e escalas. As forças centrípetas resultam do processo econômico e do processo social, e tanto podem estar subordinadas às regularidades do processo de produção, quanto às surpresas da intersubjetividade. [...] As forças centrífugas podem ser consideradas um fator de desagregação, quando retiram à região os elementos de seu próprio comando, a ser buscado fora e longe dali.

SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. São Paulo: Hucitec, 1996, p. 225 e 227.

Estabelecendo uma relação entre os recortes horizontal e vertical e as forças centrípetas e centrífugas que compõem os arranjos espaciais, conclui-se que:

  • As forças centrípetas ocorrem nas escalas local e regional, enquanto as forças centrífugas ocorrem na escala global, indiferentes umas às outras.
  • As forças centrípetas conduzem a um processo de horizontalização, enquanto as forças centrífugas conduzem a um processo de verticalização do espaço.
  • As forças centrífugas horizontalmente geram a solidariedade interna dos territórios, enquanto as forças centrípetas verticalmente perturbam essa solidariedade.
  • As forças centrípetas geram os processos produtivos, enquanto as forças centrífugas conduzem os processos culturais relativos à produção do espaço.
  • As forças centrífugas são vetores convergentes de coesão territorial entre o campo e a cidade, enquanto as forças centrípetas desestruturam essa convergência.
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