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#3093827

Considere o texto sobre a opressão no espaço escolar.

O espaço escolar é compreendido como parte integrante da realidade socioespacial da cidade, que compõe relações e é por elas simultaneamente instituído. Se, por definição, a escola é o local da inclusão, da convivência das diferenças, do acesso democrático ao conhecimento, para as travestis ela é, ao invés, local de sofrimento, de violência e ataque cotidiano à sua autoestima, abortando suas possibilidades de conquistas materiais e sociais futuras. O espaço escolar reproduz o texto hegemônico da heteronormatividade já vivenciada na cidade. Contudo, segundo elas, outros espaços da cidade em que são discriminadas elas podem se privar de frequentar. A escola não; é uma obrigação a ser cumprida, imposta pela família e pela sociedade como necessária, tornando-se seu maior calvário. Ainda que ocultas, as travestis vivenciam esses espaços, e a geografia pode dar voz a esses sujeitos silenciados e subverter a ordem instituída, que tanto tem naturalizado as injustiças cotidianas perpetradas pela ordem econômica compulsória da heteronormatividade.

SILVA, Joseli. A cidade dos corpos transgressores da heteronormatividade. In: Silva, J. (Org.). Geografias Subversivas. Ponta Grossa: Todapalavra, 2009, p. 137.

O texto acima se insere na tendência dos estudos de geografia feminista e geografia das sexualidades que contêm o seguinte argumento:

  • A oposição entre heterossexualidade e homossexualidade deve orientar as relações de gênero que organizam o espaço numa perspectiva patriarcal.
  • O gênero deve ser compreendido como representação de papéis desempenhados por corpos de homens e mulheres sob a hegemonia da heteronormatividade.
  • O sistema cisheteronormativo deve ser sustentado como parâmetro das práticas socioespaciais que são observadas no projeto político-pedagógico das escolas.
  • O gênero exige uma política identitária de sujeitos que podem transgredir os sistemas hegemônicos na produção do espaço para além de posições binárias.
  • A escola é o local da inclusão, da convivência das diferenças, no qual as pessoas transgênero já têm a garantia reconhecida do acesso democrático ao conhecimento.
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