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#2328222
Texto da Questão:

Texto 7
 
                         INSONE
 
Noite feia. Estou só. Do meu leito no abrigo

cai a luz amarela e doentia do luar;

tediosa os olhos fecho, a ver, se, assim, consigo,

por momentos sequer, o sono conciliar.
 
Da janela transpondo o entreaberto postigo

entra um perfume humano impelido pelo ar...

“és tu meu casto Amor? és tu meu doce amigo,

que a minha solidão vens agora povoar?”
 
A insônia me alucina, ando num passo incerto: 

“és tu que vens... és tu! – reconheço esse odor...”

corro à porta, escancaro-a: acho a treva e o Deserto.
 
E este aroma que é teu, aspirando, suponho

que a essência da tua alma, ó meu divino Amor!

para mim se exalou no transporte de um sonho.
 
(MACHADO, Gilka. Poesia completa. Prefácio de Maria Lúcia Dal Farra. São Paulo: V. de Mendonça Livros, 2017. p. 128.)

O soneto de Gilka Machado apresenta elementos típicos da poesia simbolista, dentre os quais destaca-se a exploração:

  • da desumanidade dos indivíduos, como se observa em “cai a luz amarela e doentia do luar”.
  • do embotamento dos sentidos, como se observa em “tediosa os olhos fecho, a ver, se, assim, consigo”.
  • da sonoridade das palavras, como se observa em “A insônia me alucina, ando num passo incerto”.
  • do individualismo dos homens, como se observa em “que a minha solidão vens agora povoar?“.
  • da ambiguidade das emoções, como se observa em “corro à porta, escancaro-a: acho a treva e o Deserto”.
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