Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra.
Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o
que somos ou com o que nos supomos ser. No melhor de nós,
vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não
sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo do
espetáculo. Por vezes, por algumas portas, entrevemos o que
talvez não seja senão cenário. Todo mundo é confuso como
vozes na noite.
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 63.
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