O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num
crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito.
Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me
encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que
tenho perante esse cair de água sombriamente luminosa, que se
destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas.
E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que
penso nem o que sou. PESSOA, Fernando. Livro do desassossego. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 77. Ao analisar o texto, deduz-se que o autor utilizou
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