Trecho do poema “Caso do Vestido”, de Carlos Drummond de Andrade.
Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?
Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.
Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?
Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.
Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.
Minhas filhas, mas o corpo
ficou frio e não o veste.
O vestido, nesse prego,
está morto, sossegado.
Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo!
Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca.
Era uma dona de longe,
vosso pai enamorou-se.
E ficou tão transtornado,
se perdeu tanto de nós,
se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou.
chorou no prato de carne,
bebeu, brigou, me bateu,
me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe,
mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou.
(Trecho do texto “Caso do Vestido” extraído do livro “Nova Reunião – 19 Livros de
Poesia”, José Olympio Editora – 1985.)
O trecho do poema transcrito pode ser dividido em duas partes: na primeira, em que são feitos alguns
questionamentos à mãe, pode-se afirmar quanto à estrutura linguística utilizada de forma recorrente que
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