* Final do romance “Vidas Secas” que narra a família de
Fabiano, mais uma vez, se retirando para algum outro
lugar, em virtude da seca:
Pouco a pouco uma vida nova, ainda confusa, se foi
esboçando. Acomodar-se-iam num sítio pequeno, o que
parecia difícil a Fabiano, criado solto no mato.
Cultivariam um pedaço de terra. Mudar-se-iam depois
para uma cidade, e os meninos frequentariam escolas,
seriam diferentes deles. Sinhá Vitória esquentava-se.
Fabiano ria, tinha desejo de esfregar as mãos agarradas
à boca do saco e à coronha da espingarda de pederneira.
Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miúdas
que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças
que empestavam o caminho. As palavras de Sinhá Vitória
encantavam-no.
Iriam para diante, alcançariam uma terra
desconhecida. Fabiano estava contente e acreditava
nessa terra, porque não sabia como ela era nem onde
era. Repetia docilmente as palavras de Sinhá Vitória, as
palavras que Sinhá Vitória murmurava porque tinha
confiança nele. E andavam para o sul, metidos naquele
sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os
meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e
necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como uns
cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam
fazer?
Retardaram-se, temerosos. Chegariam a uma terra
desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão
mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como
Fabiano, Sinhá Vitoria e os dois meninos.
(Vidas Secas, Graciliano Ramos.)
“O romance ‘Vidas Secas’ publicado em 1938 retrata a
história de Fabiano, Sinhá Vitória e seus filhos, que,
acompanhados da cachorra Baleia, mudam de região de
tempos em tempos para fugir da seca. Os problemas
sociais, a fome, a miséria e a desigualdade entre
segmentos da sociedade são explorados no romance que
mostra a realidade brasileira, como a injustiça social. Do
ponto de vista jurídico, a obra traz uma reflexão sobre a
desigualdade de direitos entre os diversos segmentos da
sociedade, além de mostrar como a privação da palavra
por parte dos personagens se contrapõe ao excesso das
autoridades e da lei.”
(Katna Baran, especial para a Gazeta do Povo 21/03/2013.
Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/justica-direito/onde
-o-direito-e-a-literatura-se-encontram-b2yn714yocf2hz62cladr6p1q.
Acesso em: janeiro de 2017 – Fragmento.)
Considerando o texto e o comentário anterior, pode-se
afirmar que:
Autenticação
Limite Diário Atingido
Você atingiu o limite de 10 questões diárias para usuários sem plano. Ao se tornar um membro, você poderá:
Resolver mais questões e melhorar seu desempenho.
Acessar conteúdo exclusivo da IAProvatec.
Potencializar seus estudos com estatísticas avançadas.
Que tal se tornar um membro agora e aproveitar todos os recursos da plataforma?