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#2483213

As sociedades primitivas são sociedades sem Estado: esse julgamento de fato, em si mesmo correto, na verdade dissimula uma opinião, um juízo de valor, que prejudica então a possibilidade de construir uma antropologia política como ciência rigorosa. O fato que se enuncia é que as sociedades primitivas estão privadas de alguma coisa – o Estado – que lhes é, tal como a qualquer outra sociedade – a nossa, por exemplo – necessária. Essas sociedades são, portanto, incompletas. Não são exatamente verdadeiras sociedades – não são policiadas –, e subsistem na experiência talvez dolorosa de uma falta – falta do Estado – que elas tentariam, sempre em vão, suprir. (CLASTRES, 1979, p. 133-134)
CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado: investigações de antropologia política. Porto: Afrontamento, 1979.
Em relação à análise de sobre as “sociedades contra o Estado”, Clastres afirma que

  • toda sociedade “não primitiva” é uma sociedade de Estado, sendo a política anterior à própria condição socioeconômica vigente.
  • justamente por servirem a um propósito coletivo e frequentemente pacífico, as lideranças estão desprovidas de qualquer autoridade.
  • o sedentarismo e a recusa ao trabalho acumulativo foram os geradores da indisposição ao conflito autoritário da formação de um Estado.
  • os machados metálicos, como uma política tecnológica, quando introduzidos às “sociedades primitivas”, proporcionaram um aumento da produtividade.
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