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#2483169

A invenção do “homem universal” como representante legítimo da humanidade, produtor de espaços e modelador de paisagens, apaga e secundariza a importância de categorias sociais altamente hierarquizantes. Cria a falsa impressão de que a cor da pele, as formas corporais e as orientações sexuais não estão profundamente imbricadas com as diferenças espaciais, econômicas e de classes. Desconsiderar essas diferenças, que hierarquizam pessoas e grupos, torna invisível uma série de lutas e injustiças sociais. Nós, pesquisadoras(es), devemos estar atentas(os) com nossa participação na corroboração de tais injustiças, porque, a partir de nossas pesquisas, construímos não apenas a compreensão sobre o mundo, mas o próprio mundo. (SILVA, 2009, p. 14)
SILVA, J. M. Introdução In: SILVA, J. M. (Org.). Geografias subversivas: discursos sobre espaço, gênero e sexualidades. Ponta Grossa: Todapalavra, 2009.
A produção do conhecimento científico e o fazer geográfico têm sido marcados, ao longo do tempo, pelos parâmetros da ciência moderna. Novos métodos e epistemologias, tributários em grande parte o debate feminista, tensionam o papel de professores(as) e pesquisadores(as) quanto à pretensa objetividade e neutralidade dos saberes acadêmicos.
Nesse sentido, em seu fazer geográfico, os(as) professores(as)-pesquisadores(as) devem observar que a produção de conhecimento pressupõe  

  • comunicação, uma vez que preserva a apartação necessária entre sujeito/objeto, asseverando a idoneidade da produção científica, mas garantindo o diálogo entre os diferentes lugares de saber na estrutura social.
  • inserção, em razão de garantir o privilégio epistêmico dos sujeitos subalternizados enquanto objetos de estudo, ao mesmo tempo em que conserva a função ativa do(a) professor(a)- pesquisador(a).
  • posição, em razão de considerar a inviabilidade da separação sujeito/objeto que marca a produção de um conhecimento corporificado, porquanto reconhece o lugar ocupado pelos sujeitos na estrutura social.
  • distanciamento, pois a produção de saberes e conhecimentos científicos imprescinde do afastamento entre sujeito e objeto, visto que endossa o empiricismo do(a) professor(a)- pesquisador(a).
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