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#2483155

O que seria mais monstruoso do que afirmar que as coisas se tornariam melhores ao perderem todo o Bem? Por isso, se privadas de todo o Bem, deixariam totalmente de existir. Portanto, enquanto existem, são boas. Portanto, todas as coisas que existem são boas, e o Mal que eu procurava não é uma substância, pois se fosse substância seria um bem. Na verdade, ou seria uma substância incorruptível e então seria um grande bem, ou seria corruptível e, neste caso, a menos que fosse boa, não poderia se corromper. Percebi, portanto, e isto pareceu-me evidente, que criastes todas as coisas boas e não existe nenhuma substância que Vós não criastes.

Tu poderias me perguntar então: se a vontade afasta-se do Bem imutável em direção a um Bem mutável, de onde provém esse impulso de mudar? É claro que essa mudança é má, mesmo que o livre-arbítrio, sem o qual não se pode viver, deva ser incluído entre aquilo que é bom. (AGOSTINHO, 2011, p. 63)


AGOSTINHO. Confissões. In: MARCONDES, D. (Org.).

Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2011.


Com base na leitura desse fragmento de texto, para Agostinho, 

  • o mal resulta da concepção da vontade como bem imutável, o que não seria possível, dada a concepção de Deus como criador de todas as coisas perfeitas.
  • a impossibilidade de criar o mal atestaria a imperfeição de Deus, e Deus, sendo perfeito, é capaz de criar até mesmo o mal pela via do livre-arbítrio.
  • o livre-arbítrio é criado por Deus e, portanto, é bom; o mal, enquanto substância, inexiste, dada a impossibilidade de que Deus crie algo imperfeito.
  • Deus é criador de toda a perfeição; sendo o livre-arbítrio humano algo imperfeito, o mal é consequentemente uma criação humana.
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