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#2508516
Texto da Questão:

O Poeta da Roça


Sou fio das mata, cantô da mão grossa Trabaio na roça, de inverno e de estio A minha chupana é tapada de barro Só fumo cigarro de paia de mio


Sou poeta das brenha, não faço o papé De argum menestré, ou errante cantô Que veve vagando, com sua viola Cantando, pachola, à percura de amô


Não tenho sabença, pois nunca estudei Apenas eu seio o meu nome assiná Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre E o fio do pobre não pode estudá


Meu verso rastero, singelo e sem graça, Não entra na praça, no rico salão. Meu verso só entra no campo e na roça, Nas pobre paioça, da serra ao sertão. (Fonte: Trecho de Patativa do Assaré. Petrópolis: Vozes, 1978. p. 20)

Ainda sobre o poema de Patativa, é incorreto afirmar que:

  • a grafia que registra o infinito de verbos da primeira conjugação como oxítonas terminadas pela vogal "a" é um fenômeno comum e não se limita aos falantes não-escolarizados.
  • a grafia que registra substantivos terminados em "r" como oxítonas terminadas por vogal tônica é um fenômeno comum na fala, mas raro na escrita de falantes escolarizados.
  • a grafia de rastero revela um fenômeno comum na fala, correspondente a um metaplasmo chamado monotongação.
  • a grafia de argum revela um fenômeno comum na fala, correspondente a um metaplasmo chamado apócope.
  • a grafia que registra substantivos terminados em "l" como oxítonas terminadas por vogal tônica é um fenômeno comum na fala, mas raro na escrita de falantes escolarizados.
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