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#1805410
Texto da Questão:

      Todos os que já se concentraram sobre o tema constatam, sem maiores dificuldades, que não se trata de coisa fácil definir o que é saúde.

      Saúde faz parte daquele conjunto de termos paradoxais que, de um lado, são usados na fala de todos os dias e, de outro, são de muito difícil definição ou identificação como entidades concretamente existentes.

      Uma das maiores dificuldades para se definir saúde consiste em que, não sendo, em si, uma coisa ou fato, só passa a sê-lo através ou a partir da doença ou mal-estar, estes sim, como já assinalava Schopenhauer, coisas ou fatos incontestes.

      Com efeito, qual, em português, o nome ou expressão linguística positiva para o “fato” saudável que se pode identificar como “ausência de dor de barriga”? Nenhum, e isso pela simples razão de que, ao contrário da linguisticamente “positiva” “dor de barriga”, ato real e perfeitamente atestável, a ausência desta não existe como entidade nomeável positivamente fora da comparação com a dor de barriga. E isso por quê? Porque a ausência de dor de barriga (ou de cabeça, ou nas costas, ou qualquer outra), em si, faz parte daqueles estados considerados “normais” e, portanto, “não merecedores” de um nome específico.

      Isso é um indicador de que a saúde é algo transitório, que se pode e que se costuma com frequência “perder”, ao contrário da doença, entidade original e mais permanente: com efeito, pode-se perguntar por que, entre nós brasileiros, pode-se dizer “Eu perdi minha saúde”, mas não se pode dizer “Eu perdi minha doença”.

Lefévre, Fernando. Mitologia Sanitária: Saúde, Doença, Mídia e Linguagem. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1999.

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e levando em consideração as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos, assinale a alternativa que apresenta a melhor reescritura para o trecho que sucede os dois-pontos, no último parágrafo, sendo preservado o sentido que assume no texto.

  • (...) com efeito, pode-se perguntar por que, entre nós brasileiros, posto que não se possa dizer “Eu perdi minha doença”, pode-se dizer “Eu perdi minha saúde”.
  • (...) com efeito, pode-se perguntar, entre nós brasileiros, por que por mais que não se possa dizer “Eu perdi minha doença”, pode-se dizer “Eu perdi minha saúde”.
  • (...) com efeito, pode-se perguntar por que, entre nós brasileiros, conforme não se possa dizer “Eu perdi minha saúde”, pode-se dizer “Eu perdi minha doença”.
  • (...) com efeito, pode-se perguntar, entre nós brasileiros, por que se pode dizer “Eu perdi minha saúde”, contudo não se pode dizer “Eu perdi minha doença”.
  • (...) com efeito, pode-se perguntar por que, à medida que se pode dizer “Eu perdi minha saúde”, não se pode dizer, entre nós brasileiros, “Eu perdi minha doença”.
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