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#2533191
Texto da Questão:

Leia o texto abaixo para responder à questão.


    Algo que se nota claramente nos alunos, ao se iniciarem nos cursos universitários, é a inconsciência da diferença entre o seu próprio discurso e o discurso dos outros. Tudo se passa como se a pluralidade de discursos se resumisse a um continuum, no qual houvesse um acordo maior, um ponto de vista comum, uma continuidade entre o que eu falo e penso, de um lado, e o que todos os outros falam e pensam, de outro lado. A própria forma do falar deve ser igual. Nada deve nem pode prejudicar essa harmonia. E por isso a atividade de desenvolver um trabalho científico, em que se utilizem citações, referências a outros textos e comentários, torna-se em geral tão árdua, cansativa e dolorosa para os alunos, mesmo no último ano do curso: não há consciência da diferença entre o eu falar e os outros falarem, não há consciência da diferença de grau entre o meu discurso e o discurso dos outros, nem mesmo entre a diversidade dos discursos dos outros – por isso as técnicas de citações, notas de rodapé, referências bibliográficas etc. não fazem sentido, parecem apenas “frescuras” de acadêmicos, e é necessário um longo aprendizado para compreender sua verdadeira função. Estabelecer um diálogo entre diferentes pontos de vista: em geral, os alunos não conseguem compreender que esta é uma das funções do texto. E reproduzem discursos alheios, crentes que eles próprios estejam a falar. Por isso mesmo, neste livro insistimos nas notas de rodapé, referências, citações: para que muitos falem.

MATTAR, João. Filosofia e ética na administração. SPaulo: Saraiva, 2004.

Sobre o quinto período do texto acima, levando-se em consideração as recomendações da gramática normativa tradicional, é correto afirmar que

  • no trecho “referências a outros textos”, a substituição da palavra “textos” por “fontes” implicaria uso do acento grave: “referências à outras fontes”.
  • as ocorrências da palavra “mesmo”, nos trechos “mesmo no último ano de curso” e “nem mesmo entre a diversidade dos discursos dos outros”, têm o mesmo valor semântico.
  • afirma-se que o desenvolvimento do trabalho científico é árduo para os universitários porque eles entendem que não existe continuidade entre o que falam e o que os outros falam.
  • a utilização da palavra “mesmo”, no trecho “mesmo no último ano de curso”, permite afirmar que o autor parte do pressuposto de que os alunos do último ano do curso não deveriam considerar árdua a utilização de citações.
  • o termo “frescuras” foi utilizado entre parênteses para marcar a informalidade característica dessa palavra no contexto em que se insere e para reproduzir o ponto de vista do autor a respeito das citações e notas de rodapé.
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