No ensino, como em outras coisas, a liberdade deve ser
questão de grau. Há liberdades que não podem ser toleradas.
Uma vez conheci uma senhora que afirmava não se deve proibir
coisa alguma a uma criança, pois deve desenvolver sua natureza
de dentro para fora.” E se a sua natureza a levar a engolir
alfinetes?” Indaguei; lamento dizer que a resposta foi puro
vitupério. No entanto, toda criança abandonada a si mesma, mais
cedo ou mais tarde engolirá alfinetes, tomará veneno, cairá de
uma janela alta ou doutra forma chegara a mau fim. Um
pouquinho mais velhos, os meninos, podendo, não se lavam,
comem demais, fumam até enjoar, apanham resfriados por
molhar os pés, e assim por diante – além do fato de se divertirem
importunando anciãos, que nem sempre possuem a capacidade
de resposta de Eliseu*. Quem advoga a liberdade da educação
não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que
lhes der na veneta. Deve haver um elemento de disciplina e
autoridade; a questão é até que ponto, e como deve ser exercido.
Bertrand Russell – Ensaios céticos.
*Não podem defender-se das zombarias das crianças.
O primeiro limite à liberdade deve ser relativo à
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