Em pleno momento de grandes transformações
político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já
havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e
compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que
não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem
estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como
referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta
outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de
tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização
de ajustes que se amoldem ao instante presente.
Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem,
periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem
compatíveis com a realidade e a concretude do presente.
Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a
quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para
muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado.
Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete.
De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação
do tempo, sem experimentar transformações de todas as
naturezas.
Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com
viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao
descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a
sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas
depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às
transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente
que os cerca.
O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um
lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno,
permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos,
mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando
quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o
medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará
que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.
Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a
pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do
controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações)
Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e ao vocabulário do texto CB1A1.
No primeiro período do segundo parágrafo, a expressão “a
fim de que” inicia oração que expressa a finalidade do que
foi afirmado anteriormente no período.
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