Assim como aquela senhora hopi que conversava com a
pedra, sua irmã, tem um monte de gente que fala com montanhas.
No Equador, na Colômbia, em algumas dessas regiões dos
Andes, você encontra lugares onde as montanhas formam casais.
Tem mãe, pai, filho, tem uma família de montanhas que troca
afeto, faz trocas. E as pessoas que vivem nesses vales fazem
festas para essas montanhas, dão comida, dão presentes, ganham
presentes das montanhas. (...)
O tipo de humanidade zumbi que estamos sendo
convocados a integrar não tolera tanto prazer, tanta fruição de
vida. (...)
O Rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu,
nosso avô, é uma pessoa, não um recurso, como dizem os
economistas. (...)
A conclusão ou compreensão de que estamos vivendo
uma era que pode ser identificada como Antropoceno deveria
soar como um alarme nas nossas cabeças. (...)
Ailton Krenak. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
Em relação a aspectos linguísticos e estilísticos do texto IV, julgue (C ou E) o item que se segue.
Ao chamar o Rio Doce de Watu (terceiro parágrafo), o autor
emprega uma metáfora.
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