À medida que o homem cria, recria e decide, vão se
formando as épocas históricas. E é também criando, recriando e
decidindo como deve participar nessas épocas. É por isso que
obtém melhor resultado toda vez que, integrando-se no espírito
delas, se apropria de seus temas e reconhece suas tarefas
concretas.
Ponha-se ênfase, desde já, na necessidade permanente de
uma atitude crítica, a única com a qual o homem poderá
apreender os temas e tarefas de sua época para ir se integrando
nela. Uma época, por outro lado, realiza-se na proporção em que
seus temas forem captados e suas tarefas, resolvidas. E se supera
na medida em que os temas e as tarefas não correspondem a
novas ansiedades emergentes.
Uma época da história apresentará uma série de
aspirações, de desejos, de valores, em busca de sua realização.
Formas de ser, de comportar-se, atitudes mais ou menos
generalizadas, das quais somente os visionários que se antecipam
têm dúvidas e frente às quais sugerem novas fórmulas.
A passagem de uma época para outra caracteriza-se por
fortes contradições que se aprofundam, dia a dia, entre valores
emergentes em busca de afirmações, de realizações, e valores do
ontem em busca de preservação.
Quando isso ocorre, verifica-se o que chamamos
transição. Observa-se um aspecto fortemente dramático que vai
atingir as mudanças de que se nutre a sociedade. Porque é
dramático, é fortemente desafiador. E a transição se torna então
um tempo de opções. Nutrindo-se de mudanças, a transição é
mais que as mudanças. Implica realmente a marcha que faz a
sociedade na procura de novos temas, de novas tarefas ou, mais
precisamente, de sua objetivação. As mudanças se produzem
numa mesma unidade de tempo, sem afetá-la profundamente. É
que se verificam dentro do jogo normal, resultante da própria
busca de plenitude que fazem estes temas.
Quando, por fim, estes temas começam a esvaziar e a
perder sua significação, emergindo novos temas, a sociedade
começa a passar para outra época. Nestas fases, mais do que
nunca, se faz indispensável a integração. Mais do que nunca se
faz indispensável o desenvolvimento de uma mente crítica, com a
qual o homem possa se defender dos perigos dos irracionalismos,
encaminhamentos distorcidos da emoção, característica dessas
fases de transição.
Paulo Freire. Educação e mudança. 41.ª ed. Rio de Janeiro/São Paulo:
Paz e Terra, 2020, p. 87-89 (com adaptações).
Com relação às ideias e à tipologia do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir. De acordo com o texto, os homens que participam das
épocas históricas com melhores resultados são aqueles que
nelas se integram, no que se refere tanto às ideias quanto
às ações.
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