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#2783951

A Catedral Alphonsus de Guimarães
Entre brumas, ao longe, surge a aurora, O hialino orvalho aos poucos se evapora, Agoniza o arrebol. A catedral ebúrnea do meu sonho Aparece, na paz do céu risonho, Toda branca de sol.
E o sino canta em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
O astro glorioso segue a eterna estrada. Uma áurea seta lhe cintila em cada Refulgente raio de luz. A catedral ebúrnea do meu sonho, Onde os meus olhos tão cansados ponho, Recebe a benção de Jesus.
E o sino clama em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” Por entre lírios e lilases desce A tarde esquiva: amargurada prece Põe-se a lua a rezar. A catedral ebúrnea do meu sonho Aparece na paz do céu tristonho, Toda branca de luar.
E o sino chora em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
O céu é todo trevas: o vento uiva. Do relâmpago a cabeleira ruiva Vem açoitar o rosto meu. E a catedral ebúrnea do meu sonho Afunda-se no caos do céu medonho Como um astro que já morreu.
E o sino geme em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
Assinale a opção correta em relação a esse poema.

  • A descrição e a repetição, predominantes no poema, criam um efeito estético no qual o movimento é nulo e o silêncio impera.
  • Ao optar pelo soneto sem rima e métrica definidas, o poeta se aproxima do verso livre modernista.
  • As imagens poéticas sugerem uma íntima e gradativa relação entre a duração do dia e o nascimento, a vida e a morte do poeta.
  • A recorrência de imagens nebulosas e etéreas limita o poema à atmosfera incompreensível do sonho, sendo nulas as referências aos elementos da natureza.
  • Embora haja menção a símbolos religiosos, nesse poema, a espiritualidade é esvaziada pelo refrão.
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