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#2968395

Em seu livro “Desenvolvimento e Estagnação: o Debate entre Desenvolvimentistas e Liberais Neoclássicos”, o economista André Nassif dedica um dos capítulos à contribuição de Celso Furtado para a teoria do subdesenvolvimento, desenvolvimento e estagnação nas economias capitalistas. Segundo Nassif,

Celso Furtado foi um dos pais-fundadores da Cepal – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe [...], em 1948, antes mesmo da designação de Raúl Prebisch como seu segundo secretário-executivo. Furtado “descobriu” um método teoricamente inovador de análise dos problemas econômicos, tendo talvez sido o economista latino-americano que maior ênfase conferiu à interpretação dos fatores históricos e sociais na dinâmica do processo de desenvolvimento econômico. Por tal originalidade teórico-metodológica, Furtado foi um cepalino não cepalino.


NASSIF, A. Desenvolvimento e Estagnação: o Debate entre Desenvolvimentistas e Liberais Neoclássicos. São Paulo: Contracorrente, 2023. p.205. Adaptado.


Na concepção original de Furtado, o fenômeno do subdesenvolvimento (A)

  • é uma fase que persiste em todos os países do sistema capitalista mundial, enquanto a maior parte da população economicamente ativa estiver concentrada na zona rural e em atividades agropecuárias tradicionais, de baixa produtividade do trabalho.
  • é um processo que persiste em economias semi-industrializadas em que a penetração de empresas e de técnicas capitalistas em estruturas arcaicas, ao acentuar a concentração da renda nacional em favor de uma elite minoritária, restringe a formação e o desenvolvimento de um mercado interno de massas, não se constituindo, necessariamente, em uma etapa do processo de desenvolvimento de todos os países capitalistas.
  • é alheio ao modelo de desenvolvimento capitalista europeu, que se originou da desorganização paulatina do feudalismo, culminou com a Revolução Industrial e se disseminou para o restante da Europa Continental, entre os séculos XVII e XIX, enquadrando-se apenas no modelo de desenvolvimento de países capitalistas que, no passado, foram submetidos ao sistema colonial e ao trabalho escravo, como os Estados Unidos e os países latino-americanos.
  • enquadra-se na experiência de todos os países em que as dimensões reduzidas do mercado interno constituem o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico e social.
  • restringe-se, exclusivamente, à experiência histórica dos países latino-americanos que, ao se especializarem na produção de produtos primários para exportação, enfrentavam uma tendência secular de deterioração de seus termos de troca.
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