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#1873643
Texto da Questão:

13 de maio
Eu tenho tanta dó dos meus filhos. Quando eles vêem as coisas de comer eles bradam: Viva a mamãe. A manifestação me agrada. Mas eu já perdi o hábito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gordura pra Dona Ida. Ela não tinha. Mandei-lhe um bilhete assim: “Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouco de gordura, para eu fazer uma sopa para os meninos. Hoje choveu e eu não pude ir catar papel. Agradeço. Carolina.”
Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A minha filha Vera começou pedir comida. E eu não tinha. Era a reprise do espetáculo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a dona Alice. Ela me deu a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos.
E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual, a fome!
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Editora Ática, 2019.

Lidos comparativamente, os textos de Carolina Maria de Jesus e de Luana Tolentino partilham um tom

  • pedagógico, pela referência ao processo de formação dos moradores de favelas.
  • confessional, pelo uso da narrativa íntima na abordagem de problemas sociais.
  • persuasivo, pelo objetivo de convencimento do leitor da perspectiva apresentada.
  • melancólico, pela constatação da permanência da desigualdade na realidade brasileira.
  • irônico, pela referência à história nacional em comparação ao discurso de sujeitos marginalizados.
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