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#3304244

O olhar atento de uma enfermeira da estratégia de saúde da família permitiu observar o comportamento de um adolescente do sexo masculino, 14 anos de idade, que, no momento, acompanhava sua avó em uma consulta. Ele era paciente da unidade desde criança. Apresentava-se cabisbaixo, olhar esquivo e tristonho, vestia um agasalho de mangas longas, as quais puxava, parecendo esconder o antebraço ou as mãos. Ao ser abordado pela enfermeira, perguntando se ele estava bem, seu rosto ficou corado, e ele nada respondeu. A avó, ao ser questionada sobre o retraimento do neto, caiu em choro, cobriu o rosto com as mãos e disse que ele estava com comportamento estranho, depois de ter apanhado muito do padrasto e que ele também havia confessado à avó que fora abusado sexualmente. 
Quais devem ser as condutas da enfermeira e/ou da unidade de saúde? Marque a alternativa correta.

  • Em casos de violência sexual, a identificação deverá ocorrer pelo relato feito, de modo exclusivo, pelo adolescente. É importante que seja constatada a existência ou não de lesões genitais ou anais, que possam ser indícios de IST. A coleta, guarda e preservação de vestígios deverá ser realizada indiscriminadamente pelo Instituto Médico Legal (IML).
  • O ECA estabelece obrigações legais aos profissionais de saúde quanto à notificação dos casos de violência cometidos contra crianças e adolescentes, devendo, em primeira instância, ser comunicado o fato à secretaria municipal de saúde e à delegacia de polícia próxima à unidade de saúde. No caso dos profissionais de enfermagem, a denúncia é respaldada pela Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) n° 514/2010 (BRASIL, 1990; COFEN, 2017).
  • A notificação de casos de violência contra crianças e adolescentes é compulsória para todos os serviços de saúde. Em casos de violência sexual e de tentativa de suicídio, identificados em unidades de saúde vinculadas ao SUS, a notificação deve ser realizada de imediato, pelo gestor da unidade, à secretaria municipal de saúde, em até 48horas (BRASIL, 2016).
  • A violência contra adolescentes deve ser atendida sob a ótica da atenção multidisciplinar e interinstitucional, realizando-se encaminhamento para exames de gravidez, prevenção e tratamento de IST/HIV/Aids e Hepatites e inserindo-os na Rede de Atenção à Pessoa em Situação de Violência, integrada por: Conselho Tutelar, CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializada de Assistência Social), CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), IML, Delegacias Especiais, Juizado da Infância e da Juventude.
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